Barril de petróleo atinge US$ 109

Barril de petróleo atinge US$ 109 em Nova York e bate novo recorde

Da Redação
Em São Paulo
O preço do petróleo estabeleceu novo recorde nesta terça-feira ao atingir US$ 109 no mercado de Nova York e US$ 105 no de Londres, considerado o valor por barril. A alta é conseqüência da desvalorização do dólar, que era negociado a um mínimo histórico de US$ 1,5489 por euro.

Há uma semana, as cotações do petróleo batem recorde atrás de recorde. Na segunda-feira em Nova York, superaram a barreira simbólica dos US$ 107 e no mesmo dia a dos US$ 108.

A fraqueza do dólar em relação a outras moedas fortes continua a incentivar os investidores a fazer proteção ante as perspectivas de inflação nos Estados Unidos e a isolar-se da queda da moeda norte-americana, dizem analistas. Segundo eles, o movimento do petróleo não está relacionado a fundamentos do mercado.

Bolha especulativa
"A fraqueza persistente do dólar prossegue levando muitos fundos especulativos a entrar nos mercados de matérias-primas", com preço fixado em dólar, explicou na segunda-feira (dia 10) Mike Fitzpatrick, analista da MF Global.

"Há uma nova onda de compras especulativas, sem motivo aparente", insistiu Fitzpatrick. "O petróleo continua sua progressão provocada pelo dólar fraco e se cria uma bolha especulativa que pode acabar estourando", mas é difícil prever quando vai acontecer, comentou Phil Flynn, analista da Alaron Trading.

"No entanto, a tendência à alta poderia se manter enquanto não for claro que o dólar alcançou seu piso e não continuará descendo diante de outras divisas", disse John Kilduff, da MF Global.

Previsão: subir mais
"O mercado segue mais sensível à questão da oferta que à da demanda", que poderia, no entanto, diminuir em caso de desaceleração econômica pronunciada, destacou Kilduff.

Entretanto, o forte aumento das importações de petróleo por parte da China, o segundo consumidor mundial, em fevereiro, "alimentou a previsão de uma demanda mundial forte", considera o analista.

Além disso, um comunicado do banco de investimentos Goldman Sachs também reforçou a tendência à alta do mercado. Explicando que a oferta extra-Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) parece ter atingido um teto, o banco americano aumentou suas previsões de preços para os três próximos anos.

Os analistas do banco de investimentos, muito consultados pelos operadores, vão longe. "Uma futura recuperação do crescimento econômico americano ou um problema importante de produção poderia impulsionar os preços do petróleo para um teto de US$ 150 ou US$ 200 o barril", avisaram.

Opep: outro recorde
O petróleo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) também bateu recorde. A cesta era negociada a US$ 99,48 na segunda-feira, informou hoje em Viena o secretariado do cartel. Esse valor, usado como referência pela Opep, é calculado com base em uma mistura de doze qualidades de petróleo.

Há apenas um ano, em 12 de março de 2007, seu preço foi de US$ 57,37, o que coloca a alta da cesta da Opep em 73%.

A organização, que com um bombeamento de 32 milhões de barris diários (mbd) controla cerca de 40% da produção mundial de petróleo, decidiu na semana passada em Viena manter sem mudanças sua cota, ignorando o pedido dos consumidores, principalmente os EUA.

A Casa Branca informou ontem que o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, aproveitará na próxima semana sua viagem ao Oriente Médio para pedir à Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo, que a Opep aumente sua produção.

(Com informações de EFE, France Presse e Reuters)